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.:: Lendas ::.
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A lenda da Serpente
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Um desenho da
suposta serpente, cópia do quadro
do artista plástico Eduardo Silveira Gomes
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A lenda da Serpente
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A origem da lenda
da serpente sob a cidade é incerta e carece dados mais concretos.
Lendas, contos populares, são transmitidos de geração a geração e
progressivamente são acrescidos de detalhes curiosos conforme a época,
seus costumes e pensamentos. A origem da lenda teria sido baseada
numa verão indígena que explicava o "inexplicável", através de símbolos
e fantasias. Na realidade, seriam fenômenos físicos perfeitamente
compreensíveis à luz da ciência e suas leis naturais.
Itapeva possuiria um subsolo pouco consistente
e em processo natural de mutação, com camadas irregulares de rochas
intercalados por zonas de areia, vazios e lençóis de àgua que mudam
de curso, se imterrompem, e se desgastam, ampliando áreas, provocando
naturalmente, através dos tempos, pequenas depressões ou elevações
na superfície.
No Universo simbólico de pessoas puras, dotadas
de cultura própria como a dos índios, tais fenômenos teriam sido revestido
de uma outra interpretação mais arquetípica, mitológica e fantástica,
exatamente como se verifica em relação às tempestades, inundações,
secas e elementos como o sol e a lua.
Segundo a versão indígena, existiria uma
grande serpente no subsolo de sua aldeia (local da cidade de Itapeva)
que se moveria de tempos em tempos ou a cada transgressão de algum
elemento da tribo. Assim como o trovão, interpretado como revolta
colérica dos deuses, o movimento da serpente também funcionaria como
"castigo", se agitando sob o chão da tribo para assustar e ameaçar
os que transgredissem as leis da comunidade. |
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Outra Versão
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Uma outra versão
mais obscura e imcompleta baseia-se num hipotético acontecimento dos
primeiros anos da cidade. Toda a sociedade em formação possui normas
e regras de comportamento social, deveres e obrigações em função da
comunidade. Nós, que vivemos nos fins do século XX, numa sociedade
mais permissiva não imaginamos o rígido padrão de comportamento e
convívio social dominante no século XVII ou XVIII, com suas leis silenciosas,
verdadeira inquisição ao menor deslize às normas estabelecidas.
Assim foi em relação a um fato ocorrido numa
hipotética época em que se tornou público o relacionamento amoroso
entre um padre (vigário) e a filha de um cronel. A intresigência e
intolerância vigente entre os representantes da sociedade não suportaram
tamanha afronta à moral e aos bons costumes, sem se falar no sacrilégio
que isso representava para os religiosos e a sua igreja. A amante
passou o resto de sua vida enclausurada numa fazenda distante, vindo
a falecer anos mais tarde num asilo da cidade e o vigário excomungado
e expulso de sua paróquia.
A relação que existe entre a trágica estória
de amor e a lenda da serpente teria sido um veemente pronunciamento
do vigário em seu último dia na cidade. Das escadarias da Igreja,
diante de um público assustado, ele teria dito em altos brados que
a maldade e a intolerância, contida no subterrâneo da alma das pessoas
poderia destruir tudo o que de bom elas teriam construído. Que todos
evitassem a má palavra, a má interpretação, ou o mau pensamento, pois
isso seria como o despertar de uma grande serpente, símbolo do mal
mair que, incustrado no subsolo (coração) da cidade, um dia viria
tomar espaço na superfície, destruindo tudo para que houvesse um novo
começo.
Tudo o que foi escrito é mera especulação,
não possuindo bases concretas ou fundamento histórico e foi baseado
em histórias fragmentadas, coletadas em conversas com pessoas antigas
da cidade. Vale observar que antigamente, sem os meios de comunicacão
de massa, como o rádio e a tevelisão, as pessoas conversavam mais,
a imaginação tinha um trânsito mais livre e as histórias corriam,
se enriquecendo de detalhes. Mas existe algo concreto que resta na
ligação do imaginário popular e a realidade que é a eterna luta do
bem e do mal que, afina, rege todo o comportamente humano.
A lenda da serpente sob a cidade seria uma
metáfora desse eterno confronto. |
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| Texto de Eduardo Silveira Gomes (feito
em julho de 1987) |
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